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2025-09-25

Episódio 5 | Histórias para Contar … com Rosa Maria Dias


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Ainda se recorda do primeiro dia na Riopele? Como foi esse dia?

Sim, recordo-me perfeitamente. Foi um dia vivido muito intensamente. Lembro-me de visitar a fábrica, de conhecer os colegas… cheguei ao fim do dia com a sensação clara de que tinha feito uma boa escolha.

Estando na Riopele há 37 anos, no seu entendimento, de que forma evoluiu a empresa nas últimas décadas?
São quase quatro décadas de grande evolução, que resumiria em três palavras: comunicação, tecnologia e digitalização. Isso é visível, por exemplo, ao nível do equipamento — hoje temos máquinas mais complexas, mais rápidas e com maior capacidade de resposta para os nossos clientes.

A transformação digital teve um enorme impacto na Riopele. Quando comecei a trabalhar cá, há 37 anos, fazia os debuxos e a definição da estrutura do tecido em papel; hoje, fazemos tudo com a ajuda de software. Conseguimos ser mais rápidos, mais eficientes.

Também houve uma mudança significativa nas matérias-primas. Passámos da tradicional mistura de poliéster/viscose, em tinto em massa e tinto em peça, para aquilo que veio a ser a grande diferenciação da Riopele: o tinto em fio. Introduzimos o elastano nos nossos fios e tecidos, apostámos no crescimento das fibras de algodão e lã — especialmente a partir de 1996 — e hoje desenvolvemos tecidos com todo o tipo de fibras e tipologias de fios. Temos uma imensidão de novidades e criamos uma grande variedade de tecidos novos para os nossos clientes.

Mas a evolução não foi apenas tecnológica e digital. Crescemos muito como equipa. Há hoje uma maior comunicação e interação entre todas as áreas, especialmente com a produção. O desenvolvimento só é possível quando há um verdadeiro trabalho de equipa — e foi a partir dos anos 2000 que essa colaboração entre áreas se tornou mais sólida e estruturada, marcando uma nova etapa na história da empresa.

Existe alguma pessoa que a tenha marcado particularmente? E algum projeto do qual se sinta muito orgulhosa?
Sim, a Engenheira Albertina Reis. Não apenas pelo seu profissionalismo, e tudo o que me ensinou, mas também como pessoa e amiga.

Ao longo deste percurso, abracei vários projetos e desafios na minha função, mas há um que destaco e que me deixa especialmente orgulhosa pelo contributo que dei — e continuo a dar: o projeto com a Inditex.

Toda a forma e estrutura de pensamento deste cliente está perfeitamente alinhada com o meu espírito — a dinâmica de responder rapidamente e com assertividade, a uma velocidade estonteante. Para acompanhar este ritmo, é necessário envolver toda a verticalidade do processo da Riopele: comunicar com todas as áreas, agilizar processos, interpretar cores, acabamentos…

É um trabalho exigente, mas que me dá — e continua a dar — uma enorme satisfação. Há um verdadeiro sentimento de missão cumprida, que se concretiza em encomendas e resultados positivos para a Riopele.

Estando a Rosa Maria prestes a reformar-se, ao fim de tantos anos nesta casa, que mensagem gostaria de deixar às novas gerações que estão agora a entrar para a Riopele?
As novas gerações chegam com outras competências, nomeadamente ao nível digital, o que se enquadra cada vez mais na Riopele de hoje — o que é muito positivo. Mas, a meu ver, não chega. Nesta indústria, a aprendizagem e a construção de conhecimento são vitais para alcançar bons resultados.

É essencial começar por gostar do que se faz, sentir paixão e emoção pelo negócio e pela atividade. E, como neste ramo nem sempre é fácil, recomendo vivamente que abracem os desafios de corpo e alma, com coragem, que acreditem, que se empenhem. A Riopele é uma verdadeira escola, onde é possível crescer e evoluir.

Tudo isto leva tempo a construir, por isso desistir não pode ser uma opção. É importante não esquecer que a Riopele está prestes a completar 100 anos de uma história riquíssima — em pessoas, em tecidos, em conhecimento — algo muito difícil de encontrar no mundo global do têxtil. Por isso, aproveitem esta oportunidade, envolvam-se e ajudem a renovar a alma da Riopele.

Se tivesse de descrever a Riopele numa palavra, qual seria?
É difícil escolher só uma…. Diria: Inovação, Diferente, Sobrevivente.