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2025-09-30

“Um dos nossos objetivos é reforçar a fidelização no mercado britânico”


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Apesar de estar na Riopele há menos de um ano, Sofia Cruz traz consigo uma longa experiência no setor têxtil. Nesta entrevista, partilha a sua visão sobre o que torna a Riopele única, os desafios e oportunidades nos mercados de França e Reino Unido, e o papel central da sustentabilidade na estratégia da empresa — sublinhando que, na Riopele, “mais do que metas ou indicadores, é uma questão de convicção.”

Tendo desenvolvido grande parte da sua carreira no setor têxtil, o que considera que distingue a Riopele das restantes empresas do setor?

Tendo nascido e crescido em Barcelos, no coração do cluster têxtil português, e desenvolvido grande parte da minha carreira neste setor, sinto que a Riopele se distingue pela combinação única entre tradição e inovação. É uma empresa com quase 100 anos de história, mas que continua a investir fortemente em I&D, digitalização e sustentabilidade.

Além disso, possui uma estrutura verticalmente integrada, o que nos permite garantir uma qualidade, consistência e capacidade de resposta muito acima da média.

Mas o verdadeiro diferencial da Riopele são as pessoas: existe um espírito de equipa e uma cultura de compromisso com o cliente que é difícil de encontrar. Esse capital humano é o que dá alma à nossa excelência técnica e é, sem dúvida, uma das nossas maiores forças.

 

É responsável por dois mercados estratégicos para a Riopele – França e Reino Unido. Quais são os principais desafios associados a estes mercados?

De facto, são dois mercados muito exigentes, mas com características bastante distintas.

Em França, a concorrência é elevada e o foco está na qualidade, na criatividade e no serviço. É um mercado maduro para a Riopele, onde os clientes valorizam a proximidade, o detalhe e a continuidade nas relações, gerindo atualmente uma carteira de aprox. 62 clientes ativos.

Já o Reino Unido é um mercado mais dinâmico, com grande pressão sobre prazos e preço, o que exige enorme agilidade e capacidade de resposta. Além disso, sendo um mercado em expansão para nós, atualmente com cerca de 30 clientes ativos, o desafio passa por consolidar relações e fidelizar novos clientes.

No fundo, o grande desafio é adaptar a estratégia comercial e o tipo de produto à identidade de cada mercado, mantendo sempre a coerência com a marca e o ADN Riopele – com vista a uma indústria eficaz, sustentável e competitiva, à altura da nossa dimensão.

 

Pela sua experiência, quais são as principais diferenças entre o mercado francês e o britânico no setor têxtil?

O mercado francês é mais tradicional e valoriza o savoir-faire, a qualidade premium, a exclusividade e a personalização – sempre com grande atenção à estética e à sustentabilidade. Há uma ligação muito forte entre o produto, o design e os valores da marca, e nota-se uma procura crescente por soluções que respondam a novos comportamentos do consumidor.

No Reino Unido, a abordagem é mais pragmática e orientada para soluções funcionais: o foco está na performance, na relação qualidade-preço e na rapidez de serviço/entrega.

Também a forma de trabalhar é diferente – em França privilegiam-se parcerias duradouras e relações de confiança; no Reino Unido, prevalece uma lógica mais direta e orientada a resultados. Um dos nossos objetivos é precisamente reforçar essa fidelização no mercado britânico, tentando construir relações de longo prazo, à semelhança do que já acontece em França, com a confiança que 2026 nos trará evolução positiva.

 

As marcas estão cada vez mais comprometidas com a sustentabilidade. Considera que, neste domínio, a Riopele se posiciona de forma diferenciada?

A sustentabilidade é um dos três pilares fundamentais da Riopele – juntamente com as pessoas e a rentabilidade – e nenhum deles existe em detrimento dos outros. Lembro-me de ouvir essa máxima no meu primeiro dia na empresa, e continua a ser uma das nossas grandes orientações: consolidar o nosso negócio de forma equilibrada e responsável. Temos uma estratégia muito clara de sustentabilidade e de economia circular, que abrange todo o ciclo produtivo – desde a utilização de fibras recicladas e matérias-primas responsáveis até à gestão eficiente da água e da energia. Este compromisso tem-nos valido o reconhecimento dos nossos pares e consolidado a nossa posição como uma referência de boas práticas no setor. O que realmente diferencia a Riopele é a forma como vive a sustentabilidade: aqui não é um conceito, é uma cultura. Está presente em todas as decisões, em todos os processos e em cada inovação que desenvolvemos.

Mais do que metas ou indicadores, é uma questão de convicção. Acreditamos que inovação e responsabilidade caminham lado a lado, e é essa atitude que nos move – não fazemos sustentabilidade “para fora”, mas “por dentro”, com coerência e propósito, todos os dias.

 

Em 2027, a Riopele celebra 100 anos de história. O que representa para si este marco e de que forma a longevidade da empresa se traduz num fator competitivo?

Celebrar 100 anos é algo muito especial – um marco notável, ao alcance de poucas empresas, seja qual for o setor. É a prova de uma enorme capacidade de resiliência, mas também de reinvenção constante.

Para mim, representa orgulho e responsabilidade. Fazer parte de uma “família” que mantém os seus valores desde 1927, mas que continua a investir em tecnologia, inovação e sustentabilidade, é inspirador.

A longevidade da Riopele é uma vantagem competitiva clara: traz credibilidade e reputação, experiência e um know-how técnico que os clientes reconhecem e valorizam.

Em 2027, não estaremos apenas a celebrar o passado – estaremos a afirmar o futuro da indústria têxtil europeia. E é um privilégio poder contribuir para essa história.